
O marmelo, considerado uma das frutíferas de maior valor histórico-cultural brasileira, está paulatinamente desaparecendo das gôndolas dos supermercados brasileiros e o produto mais nobre dessa fruta, a marmelada, primeiro produto de exportação paulista (antecessora ao café), está cada vez mais difícil de ser encontrada nas tradicionais casas de doces caseiros do Sul de Minas. As novas gerações se quer conhecem esse doce nobre. Esse fato está simplesmente correlacionado ao desinteresse dos pesquisadores e extencionistas em incentivar o desbravamento de novos plantios ou pelo menos em auxiliar os poucos produtores que restam na Serra da Mantiqueira.
Semana passada estive em Marmelópolis (25/01/11), cidade mineira localizada no Sul do Estado, mais precisamente na serra da Mantiqueira, próxima aos municípios de Itajubá, Maria da Fé, Cristina, Delfin Moreira, Wenceslau Brás, Virgínia, Itanhandú, Itamonte e Passa Quatro. Esses municípios compunham o berço da marmeilocultura na década de 30, onde estavam instaladas mais de 27 indústrias processadoras de marmelo. Hoje poucos plantios se encontram no local.
Na oportunidade, visitei alguns plantio em plena safra e ministrei um Dia de Campo para os produtores locais. Para quem trabalha a mais de uma década com essa frutífera, nada como conhecer o local de maior importância dessa frutífera.
Mas os resultados encontrados não foram animadores e refletem bem a situação atual de abandono que essa frutífera se encontra. Os preços pagos pelas indútrias variam de R$1,50 a R$2,oo/Kg da fruta. Se levarmos em consideração que uma planta saudável produz em média 30Kg e um ha pode gerar algo em torno de 20ton, concluímos que cultivar marmelos é um bom negócio, pois é uma frutífera rústicas, que produz frutos em jan./fev. que podem ser utilizados na confecção não só de marmeladas, mas sim de sucos, sorvetes e destilados.
O maior entrave que percebi é a falta de programas consolidados de extensão rural. Hoje temos um pacote tecnológico para o cultivo de marmeleiros altamente produtivos e dispomos de uma coleção de 33 cultivares. Mas isso não chegou aos produtores mineiros!
Ciente da importância em resgatar os poucos produtores que restam e incentivar novos plantios, vamos voltar a colocar essa frutífera como prioridade em nossas pesquisas e assumir com rigor o papel extencionista. A idéia é colocar a campo experimentos de competição varietal em Marmelópolis e instalar plantios experimentais para pesquisas com manejo de podas, plantios adensados e produção de fruta fresca. Estamos a procura de novos editais das agências de fomento e não vamos medir esforços para captar recursos que viabilizem uma séria de palestras técnicas nas diferentes fases fenológicas do marmeleiro.
Contamos agora com uma nova aliada, uma colega da EMATER de Marmelópolis. Juntos vamos procurar novos parceiros e levar nossas propostas para as prefeituras citadas acima, com a missão de a médio prazo reverter a situação que essa frutífera se encontra em Minas Gerais.
E na docência nossa batalha em divulgar o conhecimento se inicia em fev., onde criamos a disciplina GAG-160 Pomáceas, onde iremos abordar aos alunos da UFLA uma parcela sobre o cultivo do marmeleiro.
Não vamos desistir, enquanto existir um produtor de marmelos, teremos estímulos para continuar nossa luta.
Ajude-nos em divulgar essa frutífera!!! O marmelo não merece apenas ficar na história.