quinta-feira, 28 de abril de 2016

XI Seminário Fruticultura de Clima Temperado‏




Prezados colegas
No dia 15 de junho de 2016, realizaremos o XI Seminário Fruticultura de Clima temperado, em São Bento do Sapucaí-SP. Contamos com a participação de todos. Nos ajudem na divulgação desse evento, que a 11 anos vem promovendo o desenvolvimento da fruticultura na serra da Mantiqueira.
Maiores informações:
> Núcleo de Produção de Mudas
> São Bento do Sapucaí
> 12 3971 2046
abraços a todos
Rafael Pio - UFLA
Rodrigo Veraldi Ismael - Viveiro Frutopia
Silvana Catarina Sales Bueno - CATI
Coordenadores do evento

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Geleia de physalis: combinação perfeira com queijo brie

O physalis (Physalis L), dentro do ranking de pequenos frutos, é classificada como uma fruta muito bem e tem excelentes propriedades nutricionais devido a suas propriedades funcionais e nutracêuticos. Existem muitas espécies Physalis cujos frutos são ricos em compostos benéficos a saúde humana e têm potencial como um alimento, no entanto, o consumo de Physalis na forma fresca é restringida devido à vida de pós-colheita limitada porque tem elevada atividade de enzima, o que promove a sua rápida escurecendo, especialmente após danos mecânicos durante o transporte e armazenamento. Diante da necessidade, a harmonização sensorial de geleias physalis queijo brie é uma excelente opção, sendo uma alternativa para a substituição do mel, comumente utilizado!!!






Azeite de abacate


Segundo maior produtor de abacate do país, Minas Gerais está despontando na fabricação do óleo obtido da fruta. Trata-se de uma alternativa que abre horizontes de ganho para os fruticultores, como aposta ancorada no crescimento da oferta e da procura pelo consumidor. O estado produziu 36,6 mil toneladas de abacate no ano passado, atrás apenas de São Paulo, e, para 2015, a expectativa é de expansão de 8%, representando um balanço de 39,6 mil toneladas, de acordo com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG).

Para o coordenador técnico estadual de Fruticultura da Emater-MG, Deny Sanábio, o abacate vem quebrando paradigmas, a despeito da fama de alimento calórico e de alto teor de gordura. “Nesses quesitos, não é uma fruta tão discrepante quando comparada às outras. Além disso, o óleo tem 1.001 funções, principalmente na indústria farmacêutica e de cosméticos e, agora, é usado na gastronomia como alternativa ao azeite de oliva”, ressalta.

Pesquisadores da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), afirmam que a queda no preço do produto em anos de supersafra deve favorecer a extração do óleo. “Em geral, os abacates in natura são comprados no pé a preços muito baixos, o que, de certa forma, desestimula o produtor rural”, disse. Em 2014, foram comercializados na Centrais de Abastecimento de Minas Gerais (CeasaMinas) em torno de 6,2 mil toneladas de abacates ao preço médio de R$ 3 por quilo em janeiro e dezembro. Nos demais meses, a cotação foi equivalente à metade desse valor.


Em alguns países, o óleo de abacate já é usado na alimentação humana, na forma de temperos ou na cocção e fritura de alimentos. O produto é largamente utilizado na indústria de cosméticos, sobretudo na fabricação de sabão, cremes, loções para a pele e cabelo. No Brasil, é possível encontrar o óleo principalmente em estabelecimentos comerciais especializados, entretanto, segundo os pesquisadores, é importante trabalhar por sua popularização, com a produção em maior escala. O aumento do consumo levaria à diminuição dos custos de produção e à ampliação da oferta.

Ressalta-se que o abacate é rico em minerais, como ferro, cálcio e fósforo, em fibras solúveis, fitoesteróis e lipídios (gordura). O consumo da fruta auxilia na redução dos níveis do colesterol ruim (LDL) e na elevação do colesterol bom (HDL), diminuindo o risco de doenças cardiovasculares. Além disso, a vitamina E, um antioxidante natural, somada à vitamina A, torna o óleo um composto capaz de prevenir doenças oftalmológicas, como catarata e cegueira noturna. O produto pode, ainda, favorecer o emagrecimento, pois auxilia na diminuição da absorção de colesterol pelo intestino, mas seu consumo deve ser controlado, pois é um alimento muito calórico.

Começa extração de azeite na Mantiqueira em 2016



A extração de azeite de oliva extravirgem na região dos Contrafortes da Serra da Mantiqueira teve início no mês de fevereiro, no Campo Experimental da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG), em Maria da Fé. Para a safra 2016, são esperadas cerca de 220 toneladas de azeitonas de diversas variedades, como Arbequina, Grappolo, Koroneiki, Maria da Fé e Ascolano. O volume de azeite processado por 12 extratoras na região deverá ser maior que 20 mil litros de azeite.
De acordo com o presidente da Associação dos Olivicultores dos Contrafortes da Mantiqueira (Assoolive), Carlos Diniz, houve um aumento na área de cultivo, que é hoje cerca de 1500 hectares, mas redução na frutificação por planta. “As chuvas no mês de setembro podem ter prejudicado a polinização e, consequentemente, a formação dos frutos”, explica. Outro fator climático que pode ter interferido no florescimento, segundo o presidente da Assoolive, foi a redução do período de temperaturas baixas. Para a próxima safra, a expectativa dos mais de 40 olivicultores associados é dobrar a produção.
Na Fazenda Paiol Velho, em Cristina (MG), dos 500 kg de azeitonas foram extraídos cerca de 50 litros de azeite para comercialização em empórios e eventos gastronômicos. A proprietária Zilda Maciel conta que no ano passado seu azeite foi vendido em São Paulo por R$ 140 o litro. “Nosso azeite foi levado para uma feira na Espanha e obteve boa classificação e este ano enviaremos para um concurso na Grécia.”, comemora.  A variedade de oliveira de origem espanhola, a Arbequina, que tem sabor mais suave, teve o melhor resultado produtivo nos olivais da Paiol Velho.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Castanheira e as castanhas




A castanheira pertence à família Fagaceae. O gênero Castanea apresenta sete espécies das quais destacam-se Castanea sativa Miller, Castanea crenata Siebold & Zucc., Castanea molissima Blume e Castanea dentata (Marsh.) Borkh. Tais espécies receberam denominações de acordo com o local de origem e são conhecidas, respectivamente, por castanha portuguesa (Portugal), castanha japonesa (Japão e Coréia do Sul), castanha chinesa (China) e castanha americana (América do Norte).
O fruto da castanheira é uma cápsula deiscente , sendo formada, em média, por três sementes comestíveis, as castanhas, de cor creme, que podem ser monoembriônicas (somente um embrião) ou poliembriônicas (dois ou mais embriões). Essas são revestidas por uma membrana adstringente de cor castanha, que varia da espessura de papel a um tecido lenhoso relativamente grosso. Algumas espécies e cultivares apresentam essa membrana fortemente aderida às frutas, o que dificulta a sua retirada.
As castanhas são envolvidas por uma casca coberta por espinhos, medindo de 2,5 a 7,5 cm de diâmetro, de cor variando do amarelo-ouro ao preto, conforme a espécie ou cultivar, daí o nome de “ouriço” dado ao fruto. Quando o fruto amadurece, na maioria das cultivares o ouriço cai e se abre no chão, expondo as castanhas , mas em algumas cultivares, essas não se soltam sozinhas, demandando certo cuidado na sua manipulação. Em alguns casos as castanhas se soltam dos ouriços que se mantêm presos no galho. 

Castanea crenata
A castanha japonesa é nativa do Japão e Coréia do Sul, onde cresce em uma árvore densa e atinge uma altura de cerca de 15 m. A planta é muito resistente a doenças mais conhecidas. Essa espécie é mais adaptada as condições mais úmidas, invernos menos frios e verões quentes, produz castanhas grandes, por volta de 40 g, mas o sabor é considerado inferior a outras espécies. Entretanto, observações de produtores e de dados de pesquisa demonstram que, sob algumas condições, ocorre melhoria no sabor das castanhas.

Castanea dentata
A castanha americana é nativa das florestas da Appalachian, na parte oriental dos Estados  Unidos. As árvores possuem tronco tipo colunar, atingindo alturas de até 40 m, com diâmetros de 90 a 150 cm. As castanhas são pequenas, por volta de 5 g, cerca de 77 castanhas/kg, mas de excelente sabor e apresenta facilidade na remoção da película e são cobertas com cerdas grossas e claras. Há relatos sobre a superioridade e versalidade de sua madeira em relação a outras espécies. A castanheira americana foi praticamente eliminada no início de 1.900 pelo cancro do castanheiro, causada por um fungo originalmente chamado Endothia parasitica mas renomeado Cryphonectria, doença provavelmente vinda da Ásia e que varreu as florestas, causando um dos piores desastres ecológicos do país.

Castanea mollissima
A castanha chinesa é a menor árvore de todas as espécies, crescendo a cerca de 12 m de altura. É nativa do norte e oeste da China. Pode estar sendo cultivada há 6.000 anos.
As castanhas são geralmente de tamanho médio e de boa qualidade. As plantas são as mais resistentes ao cancro do castanheiro. As castanhas são médias a grandes, com cerca de 66 castanhas/kg. Existem algumas cultivares excepcionalmente grandes, com 40 g, mas não é comum. O rendimento médio é de 6,7 t/ha, com até 12,3 t/ha em cultivos adensados (3 m por 1,8 m).

Castanea sativa

 A castanha europeia é nativa das montanhas temperadas do oeste da Ásia, Europa e norte da África. Como as americanas, são frágeis em relação a doenças. As árvores são de grande porte, tendo árvores com até 20 m de altura. As castanhas são muito maiores do que as espécies norte-americanas e a película é removida facilmente. A qualidade é bastante variável, dependendo da cultivar. No mediterrâneo é cultivada a 3.000 anos.

O cultivo da framboesa no Brasil e em regiões subtropicais

        



         Atualmente, a framboeseira é cultivada em 37 países em aproximadamente 184 mil hectares, sendo a Rússia o maior produtor mundial com 120 mil t/ano, seguido da Sérvia, Polônia, Estados Unidos e Ucrânia.
            Na América do Sul, o Chile destaca-se como o maior produtor, com uma área aproximada de cinco mil hectares e produção de 30 mil t/ano, possuindo alta tecnologia de produção e logística de exportação para os principais mercados mundiais. Nos últimos anos, os plantios de framboeseira têm aumentando significativamente em outros países da América do Sul , a exemplo da Argentina e do Uruguai.  
            No Brasil, o cultivo da framboeseira iniciou-se na década de 50, no município de Campos do Jordão-SP, por meio da introdução de algumas cultivares pelo barão suíço Otto Von Leithner, onde, atualmente, encontra-se a fazenda Baronesa Von Leithner e que até hoje produz framboesas de alta qualidade. Posteriormente, os cultivos foram expandidos para o sul do Brasil.
            Atualmente, os principais estados produtores brasileiros são o Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais, sendo a área total estimada em 400 hectares. No Rio Grande do Sul, principal estado produtor, destaca-se o município de Vacaria e outros municípios da Serra Gaúcha, como Caxias do Sul, com pequenos cultivos. Em São Paulo, podem ser encontrados cultivos localizados em Campos do Jordão, São Bento do Sapucaí e Santo Antônio do Pinhal. Em Minas Gerais, em regiões de altitude, são produzidas framboesas em Gonçalves, Cambuí e Senador Amaral.
            Embora sejam escassos dados oficiais sobre área plantada e volume produzido, é notável o crescente interesse pelo cultivo por parte dos produtores, decorrente da grande procura pela população, principalmente na serra da Mantiqueira.
            As produtividades dos plantios de framboeseira no Brasil são extremamente variáveis, sendo as maiores obtidas na região de Vacaria (5,6 t/ha). No entanto, em regiões de inverno ameno, consegue-se colher 4 t ha-1 já no primeiro ciclo produtivo. Ressalta-se que um plantio com framboeseiras bem manejado em regiões subtropicais pode chegar a 8 t ha-1. Já, em plantios adensados e irrigados, essa produtividade pode alcançar 12 t ha-1, ainda no primeiro ano após o plantio.

            A oferta de framboesas no Brasil parece ser menor que a demanda, mesmo sendo muito compensadores os preços pagos aos produtores. Essa pouca expressão dessa fruteira no país deve-se, possivelmente, ao fato de que dentre as pequenas frutas, trata-se daquela que apresenta as maiores limitações técnicas, em razão da sensibilidade da planta e da fruta ao clima, além de problemas fitossanitários no verão e a carência de informações técnicas sobre o cultivo, principalmente em regiões subtropicais. 
          Os plantios com a framboeseira em regiões de inverno ameno indicam boas perspectivas. Porém, por se tratar de uma espécie cujo cultivo ainda é incipiente no Brasil, os desafios tecnológicos de produção, somados ao pouco conhecimento sobre o comportamento das diferentes cultivares e manejo cultural, constituem empecilhos a serem enfrentados. Porém as potencialidades da produção e da rentabilidade são altamente promissoras.
            Essa fruteira possibilita o rápido retorno do capital investido, pois as plantas atingem altas produções já, após quatro meses do plantio e ainda se adéquam perfeitamente ao cultivo orgânico, pela sua rusticidade e poucos problemas fitossanitários.
            A grande vantagem do cultivo da framboeseira em regiões subtropicais é o amplo período de colheita, onde se pode colher framboesas vermelhas e amarelas do início de outubro ao final de maio e framboesas negras o ano todo. Por outro lado, as frutas são altamente delicadas e com elevada taxa respiratória, o que dificulta a comercialização de framboesas frescas em regiões com verões mais quentes. Mas se consegue agregar valor ao produto final por meio do processamento de suas frutas, na fabricação de geleias caseiras, doces em barras ou em caldas, polpa congelada e bebidas fermentadas, produtos estes que possuem fácil comercialização, em razão do sabor peculiar dessa fruteira.

O cultivo da amora-preta no Brasil e em regiões subtropicais






      A amoreira preta é cultivada em várias regiões temperadas no mundo. Estima-se que há aproximadamente 20 mil ha cultivados com essa fruteira em todo o mundo. A Europa possui ao redor de oito mil ha cultivados com amoras, sendo que o maior produtor Europeu é a Sérvia, com 53% da área cultivada e uma produção próxima a 25 mil t. Outros países que cultivam amoreiras pretas com grande expressão nesse continente é a Hungria, Reino Unido, Romênia, Polônia, Alemanha e Croácia. No caso da América do Norte, a área cultivada é de aproximadamente 7.200 ha, sendo os Estados Unidos o maior produtor, com sua maior área de produção situada em Oregon, Michigan e Arkansas. Ressalta-se ainda que o México possui 32% da área cultivada da América do Norte, considerado o segundo maior produtor. Em relação à América do Sul, a área cultivada com amoreira preta é superior a 2.500 ha, sendo o Equador e o Chile os principais países produtores.
            Embora existam espécies nativas do gênero Rubus no Brasil, a amoreira preta só começou a ser pesquisada a partir de 1972, pela Embrapa Clima Temperado, então Estação Experimental de Pelotas, sendo a primeira coleção implantada em 1974 no município de Canguçu-RS. Estima-se que, atualmente, a área cultivada com essa fruteira no Brasil seja aproximadamente de 600 hectares. No Rio Grande do Sul, destacam-se os municípios de Vacaria, Caxias do Sul e Feliz.
O cultivo de amoreira preta apresenta grande importância em regiões subtropicais e tropicais brasileiras. Em São Paulo, a área cultivada é de aproximadamente 215 ha, destacando-se os municípios de Duardina (22 ha), na região de Bauru e Marília, Iaras, Itatinga, Águas de Santa Bárbara e Botucatu, que juntas somam mais de 40 ha, Parapuã, Tarumã e Presidente Prudente, no oeste do Estado, que juntas somam aproximadamente 36 ha, além de municípios localizados no pontal do Panapanema, vale do Ribeira e principalmente o vale do Paraíba, atualmente principais polos produtores de amoras de São Paulo. Em Minas Gerais, os principais municípios produtores encontram-se na serra da Mantiqueira e sul de Minas, com destaque para Senador Amaral, Cambuí, Campestre, Gonçalves e Pouso Alegre. Embora sejam escassos os dados oficiais sobre o volume produzido, é notável o crescente interesse pelo cultivo por parte dos produtores, decorrente da grande procura pela população, principalmente na serra da Mantiqueira.
            As produtividades dos plantios de amoreira preta em regiões subtropicais podem atingir até 12 t por hectare já no primeiro ano após o plantio e 25 t no segundo ano de cultivo. Isso é possível desde que seja escolhida as cultivares adaptadas às condições climáticas de inverno ameno, além de um bom manejo cultural, apurado para essas condições climáticas de cultivo.
            Por ser uma fruteira rústica, com poucos problemas fitossanitários, intenso crescimento e pouco tempo demandando para se formar a estrutura de copa, o que propicia o rápido retorno do capital investido, é uma atividade interessante para a diversificação da fruticultura nas regiões subtropicais. Aliada à grande procura por parte dos consumidores e sabor peculiar de suas frutas, a amoreira preta é, sem dúvida, uma fruteira potencial para ser inserida em regiões turísticas, como uma grande opção para o turismo rural e na produção de geleias e sucos caseiros.

Essa fruta tem ganhado espaço no mercado consumidor, em decorrência das recentes descobertas dos benefícios de seu consumo à saúde humana. Possui quantidades significativas de vitaminas A, B, cálcio e ácido elágico, um constituinte fenólico com propriedades anticancerígenas. Além disso, a amora preta também é rica em pectina, que auxilia na redução do colesterol e na prevenção de doenças cardiovasculares e circulatórias. Também auxilia na prevenção de diabetes e no mal de Alzheimer.
         O cultivo da amoreira preta em regiões subtropicais e tropicais indicam boas perspectivas. Já há relatos de cultivos no oeste do Estado do Paraná, pontal do Paranapanema, leste paulista e vale do Paraíba no estado de São Paulo, sul de Minas e serra da Mantiqueira em Minas Gerais. Apesar dos avanços das áreas cultivadas nessas regiões de inverno ameno, os desafios tecnológicos de produção e, principalmente, o manejo cultural visando a proporcionar aumento na duração do período de produção das frutas e do tempo de conservação em pós-colheita, constituem desafios a serem enfrentados.
            Essa fruteira possibilita o rápido retorno do capital investido, pois as plantas atingem altas produções após onze meses do plantio e ainda se adéquam perfeitamente ao cultivo agroecológico, em razão de sua rusticidade e poucos problemas fitossanitários.
            As frutas são altamente delicadas, mas se consegue agregar valor ao produto final por meio do processamento de suas frutas, no fabrico de geléias caseiras, doces em barras ou em caldas, polpa congelada e bebidas fermentadas, produtos esses que possuem fácil comercialização, em decorrência do sabor peculiar dessa fruta e a grande procura, principalmente em regiões turísticas.
            Em relação ao consumo ao natural da amora preta, o Brasil apresenta um grande potencial para comercialização, porém os produtores deverão buscar orientações técnicas para realizar a colheita das frutas no ponto de maturação adequado e também com todo o cuidado para que essa fruta atinja o mercado consumidor com qualidade adequada.

Nêspera: fruta de sabor peculiar




        A nespereira (Eriobotrya japonica Lindl.) é uma frutífera pertencente à família Rosaceae, subfamília Pomeae; suas flores e frutos apresentam similaridade com a macieira, a pereira e o marmeleiro. A designação do gênero Eriobotrya, nome grego que significa “inflorescência pilosa”, descreve bem a presença de pilosidade extremamente abundante nas gemas, flores, frutos e folhas da nespereira. Ao que indica, o gênero Eriobotrya compreende uma dezena de espécies, das quais a E. japonica Lindl. é a única cultivada.
As plantas, em condições naturais de crescimento, chegam atingir seis a dez metros de altura. No entanto, suas raízes são poucos profundas, podendo as plantas tombar sob a ação de ventos fortes, fato que deve ser levado em consideração na época da instalação do pomar.
As folhas são perenes, elípticas a oval, quase sésseis, ligeiramente dentadas, medindo de 15 a 25 cm de comprimento; apresentam-se bem esbranquiçadas e pilosas na fase de brotação, mudando para verde-escuras e lisas na página superior e verde-esbranquiçadas e pilosas na inferior, quando desenvolvidas. O crescimento vegetativo se faz por brotações periódicas; normalmente observam-se três durante o ano, e recomenda-se, nessas ocasiões, efetuar a poda verde a fim de disciplinar a produção.
As flores (autoférteis) são pequenas, brancas, muito perfumadas e se formam em panículas que normalmente se desenvolvem a partir da gema terminal dos ramos. As panículas bem desenvolvidas comportam de 100 a 150 flores, das quais fixam-se cerca de 10% de frutos.
As sementes, localizadas no centro das frutas, variam de uma a nove, dependendo da variedade, condições ecológicas e tratos culturais.
            Sem desbaste, é uma fruta pequena, de cor amarela e casca aveludada, de modo errôneo chamada popularmente de ameixa-amarela ou ameixa-japonesa. Sua principal característica nutricional é a elevada quantidade de vitamina C, onde seu consumo vem auxiliar no combate a gripes e infecções, além de suprir as carências de tal vitamina.
            Nas condições da região Sudeste, o período de produção dos frutos inicia-se em maio e estende-se até meados de outubro, o que vem a ser uma excelente alternativa para a diversificação de propriedades frutícolas, uma vez que na época de safra da nespereira existem escassezes de outras frutas estacionais no mercado. Além do mais, a colheita da nêspera coincide justamente com o período de entressafra de outras frutas, o que permite ao fruticultor manter boa continuidade de renda durante o ano.
O período longo da safra é devido ao hábito de florescimento da nespereira ser em etapas, num ciclo amplo. Essa é a razão pela qual a produção das nêsperas é muito menos afetada que das outras culturas, nos anos em que ocorrem intempéries, como geadas fortes, secas prolongada, granizo, etc.
            Embora seja considerada uma frutífera bastante rústica, seu cultivo requer mão-de-obra qualificada para desbaste, ensacamento, colheita e embalagem de frutos. Assim, antes da instalação ou ampliação do pomar de nêsperas, há necessidade de verificar a disponibilidade de mão-de-obra.

        O uso de marmeleiro como porta-enxerto induz nanismo às nespereiras, possibilitando sua exploração em pomares compactos e facilitando o manejo necessário dos frutos na fase do seu desenvolvimento. Considerando ainda que a nespereira não necessita da utilização sistemática de defensivos, seu cultivo torna-se atraente como fruticultura alternativa para produção intensiva e mais natural de frutas.
O Brasil é um produtor de destaque de nêsperas do mundo, sendo que, os países orientais são os maiores produtores mundiais.
O Estado de São Paulo é o maior produtor nacional. A exploração econômica iniciou-se na década de 40 no Estado, com interesse crescente entre os fruticultores, chegando à cerca de 200 mil plantas em 1985, principalmente nas regiões produtoras de Mogi das Cruzes e Atibaia. Segundo dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA), entre os anos de 2000 e 2004, houve plantio de 12.500 novas plantas no Estado de São Paulo, com maiores destaques para nos municípios de Botucatu, Itapetininga, Sorocaba e Mogi das Cruzes. Atualmente, o Estado apresenta aproximadamente 320.000 plantas em produção, sendo que 70% dessas plantas concentram-se no município de Mogi das Cruzes, que é responsável pela produção de dois milhões de caixas/ano (caixa de 5 Kg), do total de 3.700.000 caixas produzidas no Estado.
A nespereira é uma espécie subtropical que se desenvolve bem em regiões onde a temperatura média anual está acima de 15º C, não sujeitas a temperaturas abaixo 3º C.
No Estado de São Paulo, a quantidade total de água que a planta necessita durante o ano é, em geral, satisfeita com as chuvas. Porém a irrigação pode apresentar certas vantagens, principalmente em anos que ocorre má distribuição das chuvas ou ainda quando há insuficiência de água durante o período de frutificação.
Quanto a ação dos ventos, as raízes da nespereira são pouco profundas, podendo a planta tombar sob a ação de ventos muito fortes. Os ramos são resistentes, não havendo perigo de quebra pelo vento, mas os frutos podem ser prejudicados devido à fricção contra as folhas e ramos vizinhos.

Histórico sobre o cultivo do marmeleiro no Brasil e em regiões subtropicais


        O marmeleiro [Cydonia oblonga (Mill.)] pertence ao gênero Cydonia, família Rosaceae e subfamília Pomoideae, bem como a macieira, a pereira e a nespereira. Existe ainda outro marmelo cultivado de forma pouco expressiva no mundo, porém pertencente ao gênero Chaenomeles, conhecido como marmelo do Japão ou japonês (Chaenomeles sinensis Koehne). Esse marmeleiro é recomendado no Brasil como porta-enxerto para as cultivares do gênero Cydonia.
Na serra da Mantiqueira em Minas Gerais, a marmelocultura era a principal atividade econômica da década de 30, onde existiam, na época, mais de 25 indústrias doceiras nos municípios de Marmelópolis, Delfim Moreira, Virgínia, Cristina, Maria da Fé e Passa Quatro. Em anos posteriores houve uma crise decorrente do monocultivo, o que ocasionou baixos preços, em razão da alta oferta e a dependência industrial dessa fruteira, já que seus frutos são exclusivamente utilizados para o processamento no Brasil. Por esse fato, quase houve dizimação da marmelocultura em Minas Gerais, fato esse que não foi revertido no estado de São Paulo.
            Na atualidade (2013), são produzidos próximos a um milhão de toneladas de marmelos, sendo apenas 17% destes no Rio Grande do Sul. Do total de marmelos produzidos nacionalmente, 50% estão em terras mineiras. No entanto, essa fruteira vem sendo explorada em novos locais, dotados de temperaturas amenas no inverno, a exemplo do norte de Minas, responsável pela produção de 250 t de frutos/ano e Vale do Jequitinhonha, que produz anualmente 150 t de marmelos.
            Outro estado que se destaca na exploração econômica do marmeleiro é Goiás, que produz anualmente 80 t da fruta, principalmente nas cidades de Luziânia e Cidade Ocidental, próximas ao Distrito Federal. O estado da Bahia é outro estado que possui destaque recente na exploração do marmelo, com uma produção anual de 250 t na região nordeste do estado, mais precisamente no Morro do Chapéu, zona oriental da chapada Diamantina.

            Nota-se que o cultivo de marmelos no Brasil possui maior expressão em regiões subtropicais e tropicais, em macroclimas que possibilitam a exploração racional do marmeleiro, com altitudes próximas a 1.000 m, que possibilitam boa amplitude térmica e temperaturas anuais entre 21 e 24ºC.
           Apesar de o marmeleiro pertencer ao grupo das fruteiras de clima temperado, possui adaptação às mais variáveis condições climáticas, tanto das zonas temperadas como das zonas subtropicais e tropicais. O marmeleiro requer temperaturas baixas durante o inverno, quando ocorrem importantes transformações hormonais internas, essenciais para uma boa produção de frutos. De maneira geral, os marmeleiros necessitam de menos frio hibernal em comparação a outras fruteiras de clima temperado. Há cultivares que necessitam de aproximadamente 100 unidades de frio, como outras que necessitam de até 450 unidades de frio (temperaturas abaixo de 7,2°C).
         O cultivo do marmeleiro tem grande potencial para propriedades produtoras de frutas destinadas ao processamento, sendo uma excelente opção de diversificação, uma vez que a época de colheita dos marmelos, que se restringe entre os meses de janeiro e fevereiro, não coincide com a época de colheita dos pêssegos, figos, uvas, castanhas e amoras pretas. Também é uma excelente opção para pequenas propriedades rurais, pois constitui uma alternativa de agregação de valores com a possibilidade da produção de marmeladas e geleias artesanais. Seus frutos também podem ser utilizados na confecção de sucos e bebidas fermentadas, como iogurtes e licores, produtos ainda não explorados no Brasil.
            Como a produção brasileira é relativamente baixa e restrita em alguns locais, os frutos e a marmelada possuem preços atraentes.

O cultivo da pereira no Brasil e em regiões subtropicais







            Aproximadamente em 2.750 a.C., a pera já era citada como ingrediente medicinal, na Mesopotâmia. Teofrasto, por volta de 400 a.C., descreveu a sua forma de cultivo, indicando a necessidade de polinização cruzada de suas plantas. Cato, em 235 a.C., descreveu alguns métodos para o seu cultivo, sendo que em 79-23 a.C., Plínio descreveu 35 cultivares existentes em Roma. Com as conquistas, o cultivo da pereira disseminou-se para a Europa Central e Oriental e pelas Américas. Pelo século XVI e XVII a França era mencionada como o maior país produtor de peras, sendo que, em 1968, já eram conhecidas em territórios franceses mais de 254 cultivares em cultivos comerciais e caseiros.
O cultivo de peras teve início nos tempos coloniais no Brasil ao lado do cultivo de marmelos. Apresentou relevância no estado de São Paulo, sobretudo, na década de 30, quando era cultivada em numerosos sítios e quintais, porém, ainda em uma incipiente fruticultura. As peras, assim produzidas, tiveram alta aceitação na época, em face dos preços elevados em comparação às peras importadas de outros países produtores, ainda em pequena disponibilidade.
Na época, dominavam as peras rústicas, que foram sendo selecionadas frente à adaptação às condições de inverno brando, em destaque, ‘D’Águas’, ‘Madame Sieboldt’, ‘Kieffer’ e ‘Smith’. Com a difusão e intercâmbio colonial entre os produtores, de forma natural e pouco controlada, constata-se que a mesma cultivar (ou similar) era conhecida por nomes populares diversos, enquanto que peras diferentes contam com uma mesma designação genética; assim, a pera ‘D’Água’ é conhecida por outros nomes, como ‘Branca’, ‘Bela Aliança’, ‘Joaquina’, ‘D’Água de Valinhos’ e ‘Branca de São Roque’.
Ao lado das quatro cultivares de importância econômica na época, estavam presentes outras peras rústicas, como ‘Hood’ e ‘Garber’, contudo, sem constituírem certo significado econômico. Já, as peras européias, como a ‘Bartlett’, foram testadas na época, mas tiveram insucesso em São Paulo, pela falta de frio invernal intenso. No entanto, apesar da frutificação reduzida, frutos de excelente qualidade eram produzidos pela cultivar ‘Packham’s Triumph’, principalmente no município de Campos do Jordão-SP que, no futuro, vieram a contribuir na expansão do cultivo de peras em Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
A partir das décadas de 40 e 50, fruticultores de ascendência japonesa introduziram, em São Paulo e Paraná, cultivares de peras orientais, algumas revelando adaptação satisfatória às condições de inverno ameno e menor suscetibilidade às enfermidades foliares. Nos anos cinquenta, já havia informações de produção eventual de peras asiáticas, como ‘Chojuro’, ‘Okusankichi’ e ‘Imamura-aki’, na região de Presidente Prudente-SP e ‘Ya-Li’ em Curitiba-PR.
Após os períodos de alta oferta brasileira de peras, o cultivo foi gradativamente entrando em decadência, com diminuição acentuada da oferta e da qualidade das frutas produzidas, em comparação às frutas produzidas no exterior. Em consequência, houve desestimulo dos produtores brasileiros com os baixos preços adquiridos, diminuindo assim gradativamente os tratos culturais fitossanitários e indiretamente a qualidade das peras produzidas, até a quase dizimação do cultivo de peras em São Paulo.
            Analisando-se dados estatísticos brasileiros mais recentes sobre o cultivo de peras, verifica-se que de 1990 a 2001, a área cultivada com pereira girava em torno de 2.000 hectares, atingindo o pico de 2.303 hectares plantados em 1994. A partir de 2001, a área representada por essa fruteira reduziu vertiginosamente, chegando em 2010 com cerca de 1.500 hectares, ou seja, nos últimos vinte anos, o cultivo de peras deixou de ter expressão em 25% da área, no período considerado. Nos dias atuais, em termos de região, nota-se um incremento de 6% da área plantada na região sul e uma redução de 86% da área cultivada com pereiras na região sudeste. Na região sul, os estados de Santa Catarina e Paraná implantaram novos pomares no período, destacando-se Santa Catarina, que aumentou a área cultivada, passando de 15 hectares cultivados em 1990 para 286 hectares em 2010.
Em termos mundiais, atualmente, a China é o maior produtor mundial de peras, seguida pelos Estados Unidos, Itália e Argentina. O Brasil configura apenas como o quadragésimo quinto produtor, ficando atrás de países com extensões territoriais aquém da maioria dos estados brasileiros. As áreas de produção nacional estão concentradas basicamente nos estados do sul e sudeste brasileiro e a produção não chega a atender nem 20% do volume demandado pelo consumo interno da fruta.
Por mais negativo e pessimista que se mostre o cenário do cultivo de peras no Brasil, principalmente em regiões de inverno mais ameno, vale ressaltar que são importados 85 a 90% da demanda interna de peras, estimada em 150 mil toneladas por ano, aproximadamente, alocando o Brasil como o segundo maior importador mundial dessa fruta. Considerando ainda estimativas futuras de demanda nacional de 300 mil toneladas anuais pela fruta, é simples perceber o potencial de crescimento vislumbrado para a cultura em nosso território.

É óbvio que esse otimismo não se trata de simples entusiasmo dos técnicos envolvidos no avanço do cultivo de peras no Brasil, pois, acredita-se que seja factível a produção de frutos com qualidades superiores, comparáveis ao produto importado. É claro que há um longo caminho a ser percorrido. Recentemente, um projeto multidisciplinar e envolvendo diversas instituições públicas e privadas, de pesquisa e ensino, envolvendo representantes dos estados do RS, SC, PR, SP e MG, liderado para Embrapa Uva e Vinho, situada em Bento Gonçalves-RS, mostraram a possibilidade e perseverança no avanço do cultivo de peras no Brasil. Existe consenso entre os técnicos e produtores, que a exploração racional e econômica de peras no Brasil só é viável pelo plantio de cultivares adaptadas as nossas condições climáticas, de inverno brando ou rigoroso, dependendo da região de exploração.
As regiões montanhosas da China ocidental são consideradas o centro de origem do gênero Pyrus. A esse gênero pertencem cerca de 20 espécies, sendo que todas elas são nativas do continente asiático ou europeu. Além das pereiras ocidentais (Pyrus communis), originárias da zona central do oriente médio, montanhas do Cáucaso e Ásia Menor, também são encontrados os tipos asiáticos ou orientais, sendo Pyrus pyrifolia, Pyrus ussuriensis, Pyrus serotina e Pyrus calleryana originários do centro da China.
            De importância para o Brasil têm-se as espécies Pyrus calleryana (‘Taiwan Nashi-C’) e Pyrus betulaefolia (‘Manshu Mamenashi’), que são utilizadas como porta-enxertos, comumente conhecidos como porta-enxertos orientais. No caso das cultivares copa, as de maior importância pertencem às espécies Pyrus communis (peras europeias) e Pyrus pyrifolia (peras asiáticas). As peras europeias requerem maior necessidade em frio e possuem formato piriforme, casca lisa com coloração amarela a avermelhada, textura de polpa carnuda, suculenta e doce. Por outro lado, as peras asiáticas requerem menor necessidade em frio, possuem formato arredondado, casca áspera de coloração marrom, polpa branca e crocante. Para as condições subtropicais brasileiras, as peras mais cultivadas são as híbridas entre Pyrus communis x Pyrus pyrifolia, onde se busca a rusticidade quanto à adaptação climática das peras asiáticas e a qualidade de frutos das peras europeias.

Cultivares híbridas entre Pyrus communis x Pyrus pyrifolia, para regiões subtropicais:

‘Kieffer
Essa cultivar é bem produtiva, atingindo-se facilmente 80 toneladas de frutos por hectare. Seus frutos são grandes e de maturação tardia, possuem epiderme de coloração esverdeada dotadas de “russeting”, de polpa firme e sucosa. É uma cultivar que se desenvolve bem em regiões que forneçam mais de 80 horas de frio. Trata-se, provavelmente, uma cultivar autofértil, não necessitando de plantas polinizadoras. É exigente em tratos culturais e é utilizada como porta-enxerto para pereiras em algumas regiões brasileiras. Um fator limitante para o cultivo dessa cultivar é suas características visuais e organolépticas, que não favorecem seu consumo ao natural.

‘Smith
Em relação à ‘Kieffer’ é mais produtiva, precoce e rústica, porém apresenta maturação tardia em regiões de inverno ameno. Encontra-se muito difundida nas zonas produtoras brasileiras. O empecilho dessa cultivar é que ela produz frutos pequenos, limitando sua comercialização para o consumo ao natural, porém, é uma cultivar que se encaixa perfeitamente ao processamento industrial, principalmente para a fabricação de doces. Apresenta película de coloração verde-amarelada e lisa, com polpa firme e de coloração branca. Adapta-se em regiões que ofertem acima de 80 horas de frio. Provavelmente, trata-se de uma cultivar autofértil. É exigente em tratos culturais e ainda apresenta grande utilização como porta-enxerto para pereiras em algumas regiões produtoras brasileiras. 

‘Le Conte
Essa cultivar foi selecionada nos Estados Unidos. Suas plantas apresentam elevado desenvolvimento e ótima produtividade. Seus frutos, de coloração verde-amarelada e com pontuações marrons, são de tamanho médio, com pedúnculo bem comprido, conferindo-lhes um formato de trompa. Apresentam maturação mais próxima ao final de janeiro. A película é grossa, resistente e bastante unida ao mesocarpo. A polpa, de coloração branca, é macia e com agradável sabor.

‘Cascatense
Cultivar brasileira selecionada pela Embrapa Clima Temperado, foi obtida pelo cruzamento entre as cultivares ‘Packham’s Triumph’ x ‘Le Conte’. Suas plantas apresentam vigor médio a semivigorosas, com copas semiabertas. São plantas altamente produtivas, podendo chegar a mais de 60 kg de frutos por planta, cujo florescimento se dá na segunda quinzena de agosto, com colheita realizada em meados de janeiro. Seus frutos, de tamanho médio (120 a 220 g), apresentam formato piriforme com epiderme fina, de coloração amarelo-esverdeada a amarela, com pouco de “russeting” na área peduncular e de aparência regular. A polpa é branca, parcialmente manteigosa, suculenta, de aromática moderado e de bom de sabor, com 12° a 14° Brix. É suscetível a entomosporiose.

‘Triunfo’ (IAC 16-34)
Cultivar nacional, resultante do cruzamento realizado no Instituto Agronômico (IAC) entre ‘Hood’ x ‘Packham’s Triumph’ e lançada em 1972. A planta é vigorosa, produtiva, de hábito ereto e apresenta rápido crescimento. Seus frutos são médios (180 a 250 g) e de formato oblongo e bem piriforme; a película é espessa, de cor verde-escura com pontuações nítidas e salientes; a polpa é bem firme, granulada e de sabor doce-acidulado (próximo a 10º Brix e acidez titulável de 0,42 g de ácido málico em 100 g de polpa). A maturação é precoce (dezembro a janeiro), com pico variando um pouco em função da região de cultivo, além de comporta-se bem em condições de inverno com pouco frio, cerca de 80 horas são suficientes à cultivar. A polinização cruzada é imprescindível, assim como o arqueamento dos ramos. É uma cultivar exigente em tratos culturais e fitossanitários.

‘Seleta’ (IAC 18-28)
Selecionada em 1968 e também lançada em 1972, resultante do mesmo cruzamento entre ‘Hood’ x ‘Packham’s Triumph’, no programa de melhoramento genético de pereiras do Instituto Agronômico (IAC). Suas plantas, quando enxertadas em marmeleiros apresentam desenvolvimento semivigoroso e com ramificações eretas, respondendo bem aos tratamentos fitossanitários, em termos de enfolhamento. Quando enxertada sobre a própria pereira, apresenta produtividade média a regular e, sobre marmeleiros e em cultivo solteiro, sua produtividade é considerada média a baixa, com produção de frutos pequenos e desuniformes.
É imprescindível a utilização de polinizadores, assim como é recomendável a utilização de indutores floral no pomar. É uma cultivar de produção é precoce (dezembro a janeiro). Apresenta fruto de tamanho médio (150 a 200 g) e formato oblongo-piriforme; a película é fina e lisa com coloração verde-clara com pontuações esparsas; a polpa é delicada, aromática e tenra, com sabor doce acidulado (próximo a 10º Brix e acidez titulável de 0,36 g de ácido málico em 100 g de polpa) e de boa qualidade. Apresenta excelente adaptação a condições de inverno ameno e alto desempenho em regiões frias, exigindo cerca de 80 horas de frio.

‘Tenra’ (IAC 15-20)
É uma cultivar nacional, resultante do cruzamento realizado entre ‘Madame Sieboldt’ e ‘Packham’s Triumph’, que foi lançada oficialmente em 1974 pelo Instituto Agronômico (IAC). Suas plantas são mediamente vigorosa, um tanto rústica e de produtividade regular. Produz frutos pequenos a médios (150 a 180 g), de formato globoso-piriforme, porém muito irregulares, são colhidos de dezembro a janeiro. A epiderme, de coloração verde-escura, é espessa, resistente e apresenta pontuações salientes. Sua polpa, pouco sucosa e doce (próximo a 9º Brix e acidez titulável de 0,50 g de ácido málico em 100 g de polpa), é meio firme, porém macia, com frequente granulação. Possui excelente adaptação a regiões de inverno ameno, exigindo cerca de 80 horas de frio. Sua maior importância reside em constituir adequado material polinizante às demais cultivares de pereira, frente à longa duração da florada e abundância de flores e pólen, com elevada capacidade germinativa.

‘Primorosa’ (IAC 9-3)
É uma cultivar brasileira, resultante do cruzamento realizado no Instituto Agronômico (IAC) entre ‘Hood’ x ‘Packham’s Triumph’ e lançada em 1987, nas comemorações do centenário da Instituição. A planta possui bom vigor e produtividade. Quando enxertada em marmeleiros, apresenta vigor médio, desenvolvimento equilibrado das plantas, produtividade constante e frutas com elevado padrão de qualidade.
Seus frutos, comparáveis aos das melhores cultivares importadas, são de tamanho médio (180 a 220 g), com formato ovóide piriforme e com pedúnculo longo. A película da fruta é lisa, resistente e de coloração verde-clara a amarelada, com pequenas pontuações claras, o que lhe confere um aspecto atraente e delicado. A polpa é de coloração branca, doce, tenra, suculenta e com pequenos grânulos arenosos, de sabor suave e de boa qualidade e baixa acidez (próximo a 9º Brix e acidez titulável de 0,28 g de ácido málico em 100 g de polpa). Possui razoável adaptação as condições subtropicais de inverno brando, recomendada para os cultivos no sudeste brasileiro, principalmente em regiões serranas. Necessita de cerca de 80 horas de frio para florescimento e posterior frutificação. A polinização cruzada e indução floral são recomendadas para a cultivar. Conforme a região de cultivo e manejo da cultura, a maturação ocorre entre o final de dezembro e janeiro.

‘Centenária’ (IAC 9-47)
É uma cultivar brasileira, resultante do cruzamento realizado no Instituto Agronômico (IAC) entre ‘Hood’ x ‘Packham’s Triumph’ e lançada em 1987, nas comemorações do centenário da Instituição. Apresenta moderada exigência de frio (cerca de 150 horas). Suas plantas se caracterizam pelo alto vigor, enfolhamento abundante de folhas pequenas e bem distribuído em uma copa bem formada, além da regularidade da produção. Tem apresentado excelente comportamento quando enxertada sobre marmeleiros. Os frutos dessa cultivar são médios (220 a 250 g), de formato oblongo-piriforme a piriforme-achatados, com cavidade calicinal larga, rasa e bem fechada e com pedúnculo longo, um pouco grosso e bem inserido no fruto; película lisa e resistente, de coloração verde-clara e amarela com nuances rosados em frutos bem maduros, com pontuações espairecidas em toda superfície, conferindo-lhe aspecto bem atraente e limpo.
A polpa é pouco aromática e é de coloração branca, firme, de textura meio grosseira, com granulações frequentes, suculenta e de sabor doce-acidulado (próximo a 10º Brix e acidez titulável de 0,25 g de ácido málico em 100 g de polpa). Sua maturação ocorre no final de janeiro e, em condições mais frias e, geralmente, sua maturação é mais tardia, possibilitando uma alternativa para a ampliação do período de safra de peras dentro de plantios comerciais. Recomenda-se a polinização cruzada, assim como a indução floral. É uma cultivar que apresenta certa suscetibilidade a entomosporiose.

‘Princesinha’ (IAC 16-30)
Cultivar brasileira, resultante do cruzamento realizado no Instituto Agronômico (IAC) entre ‘Hood’ x ‘Packham’s Triumph’, co-irmã da ‘Triunfo’, foi lançada oficialmente em 2007. Possui elevada adaptação às regiões de inverno ameno. Trata-se de uma cultivar opcional a pera ‘Seleta’ e ‘Primorosa’, principais cultivares de pereira para as regiões subtropicais do Brasil, em razão da semelhança no vigor da planta e aparência dos frutos.
A planta apresenta bom vigor, porte médio, com ramos frutíferos finos e abundantes; enfolhamento ralo, folhas médias a pequenas e de coloração verde-azuladas. Os frutos pesam em média 140 g, são de formato piriforme, com “pescoço” pronunciado, pedúnculo fino e longo; película lisa, espessa, de coloração verde esbranquiçada, com pequenas pontuações claras em toda a superfície; a polpa é de coloração branca, firme, meio granulada e suculenta, de sabor doce-acidulado e agradável. Considerada de mediana suscetibilidade a entomosporiose. Apresenta produção precoce e elevada adaptação a regiões de inverno ameno. Essa cultivar tem se mostrado promissora em cultivos irrigados no vale do Rio São Francisco, onde as condições climáticas, principalmente em relação a horas de frio, estão muito aquém daquelas comumente exigidas pelas pereiras.

Pera D’água
            As peras D’água, na verdade, são constituídas de diferentes materiais clonais selecionados localmente e, portanto, de diferentes origens, sem que se tenha uma cultivar definida. Dessa forma, existem diversas nomenclaturas em função da região onde esses clones apresentam características de produção e qualidade da frutificação que despertaram atenção dos produtores que os multiplicaram, ao longo dos anos, via enxertia ou estaquia, a exemplo das peras d’água de Valinhos (‘D’Água de Valinhos’) e de São Roque (‘Branca de São Roque’). Mesmo apresentando características fenotípicas similares, vale lembrar que esses materiais são geneticamente distintos, portanto, apresentam características intrínsecas, sejam estas relativas à produtividade bem como a características físico-químicas e organolépticas dos seus frutos, assim como da própria produtividade e regularidade de produção das plantas.
De forma geral, são plantas similares no hábito de crescimento ereto, são vigorosas e de abundante ramificação e folhagem, com coloração verde-brilhante e meio esmaecida, além de apresentarem elevada produção de frutos por planta. Os frutos, de tamanho médio, são oblongos-piriforme e, no estádio de vez, são firmes e possuem polpa de coloração esbranquiçada, de sabor apenas regular (em geral, 12º Brix e pH de 4,0), crocante apesar de bem sucosa, com tendência a farinar no decorrer da maturação. Os pedúnculos são compridos, grossos e com inserção saliente ao ápice.
Geralmente, são plantas rústicas e autoférteis, produzindo satisfatoriamente mesmo com poucos tratos culturais, desde que haja umidade adequada no solo, portanto, são ideais para chácaras e quintais. Seus frutos podem ser degustados ao natural ou em forma de doces, tortas, geleias, entre outros. São plantas muito bem adaptadas a regiões de inverno ameno, demandando apenas cerca de 40 horas de frio para florescimento e consequente frutificação, além de constituírem um grupo excelente de polinizadores.