sábado, 5 de maio de 2012

Tecnologia para a produção de mudas de framboesa negra e Boysenberry

O cultivo de framboesa negra (Rubus niveus) e Boysenberry ainda é recente na serra da Mantiqueira e há poucos produtores com algumas plantas em suas propriedades. No caso da framboesa negra, há dois cultivos comerciais, em Campos do Jordão-SP e Cambuí-MG.
Essas duas frutíferas já demosntraram que possuem boa produção de frutos em nossas condições, mas até então não sabíamos como propagá-las.
Sendo assim, realizamos uma série de trabalhos com estacas caulinares, estacas radiculares e até mesmo com mergulhia e alporquia.

No link abaixo se tem acesso ao trabalho relativo a framboesa negra:
e abaixo do Boysenberry

O que concluimos:
1) Framboesa negra - as estacas caulinares apresentam resultados superiores em comparação com as estacas radiculares, não necessitando armazenar a frio e não tratar com AIB; a mergulhia de ponta promoveu maior emissão de raízes em comparação com a alporquia

2) Boysenberry - estacas caulinares devem ser armazenadas a frio-úmido por 20 dias e não serem tratadas com AIB; a mergulhia de ponta promoveu maior emissão de raízes quando tratadas com 4000mg L-1

Mãos a obra, façam suas próprias mudas!!!

sábado, 17 de março de 2012

Mudas de amora-preta por estacas de raízes: método fácil e de baixo custo

O consumo da amora-preta (Rubus spp.) vem aumentando paulatinamente nos últimos anos devido às características intrínsecas de seus frutos, considerado uma fonte natural rica em antioxidantes e pigmentos .
O cultivo dessa frutífera no Brasil encontra-se em franca expansão, com resultados promissores em sistema de cultivo agroecológico. O crescimento dos cultivos brasileiros deve-se também ao custo de implantação e manutenção dos pomares serem relativamente baixos, quando comparado com outras frutíferas perenes cultivadas, evidenciando que essa atividade pode ser mais uma alternativa de renda para agricultura familiar.
Apesar de a literatura recomendar a utilização de estacas caulinares como fonte de material propagativo, coletadas em plantas durante a poda realizada no inverno, as estacas radiculares são uma excelente opção e também podem ser utilizadas na produção de mudas da amoreira-preta. A vantagem da utilização das estacas radiculares seria quanto ao manuseio, uma vez que a maioria das cultivares comerciais apresenta ramos dotados de espinhos, em números variados, o que onera e dificulta a operação de preparo das estacas.

No link abaixo se tem acesso ao trabalho:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-84782012000200008&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

O que concluimos: Estacas radiculares apresentaram maior potencial de enraizamento quando comparadas com estacas caulinares; estacas coletadas no início do período invernal apresentam maior enraizamento; o armazenamento a frio auxiliou no incremento do enraizamento e brotação das estacas; o tratamento com AIB desfavoreceu o enraizamento e a brotação das estacas; as estacas radiculares das cultivares 'Arapaho', 'Comanche' e 'Tupy' apresentam maior emissão de raízes e brotos.

Agora os produtores podem fazer suas próprias mudas!!!

domingo, 18 de dezembro de 2011

Castanheiro em plena produção!












































Começou a safra do castanheiro em São Paulo. É uma excelente fonte de carboidratos (45%) e proteínas (10%), livre de glúten. Essa castanha é também conhecida como castanha portuguesa, por ser muito cultivada em Portugal, na região de Trás-os-Montes. Na verdade a Castanea sp. possui quatro centros de origem: castanha japonesa (Castanea crenata), castanha chinesa (Castanea mollissima), castanha americana (Castanea dentata) e castanha européia (Castanea sativa), essa útima conhecida como castanha portuguesa. No Brasil há 11 cultivares de Castanea crenata e Castanea sativa, sendo desses 'Taishowase', 'Okuni', 'Isumo' e 'Tamatsukuri' que vem apresentando bons resultados, em avaliações preliminares. A UFLA em parceria com CATI/Núcleo de produção de sementes e mudas de São Bento do Sapucaí-SP iniciou uma série de trabalhos científicos em dez./11 e esperamos logo dispor resultados que possam alavancar o cultivo comercial tecnificado em MG e SP.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Quebrando paradigmas: cultivo de pêras no semi-árido nordestino








Quem diria que um dia eu iria presenciar esse fato: cultivo de pêras no semi-árido nordestino (Petrolina-PE), onde a temperatura média anual é de 26ºC, a máxima chega a 42ºC e o inverno 20ºC, com 400mm de chuvas mal distribuidos no ano (mas isso se resolve com irrigação). As plantas estão com 4 anos, são as cultivares do IAC enxertadas em Pyrus calleryana, ótimo vigor, com boa produção de esporões. Se faz duas safras do ano e a projeção chegou a 60 t/ha/ano. Maravilha! Isso só confirma que a dormência é um período de estresse, seja por temperatura, seja pela redução do turno de rega. Ainda é cedo, mas a experimentação da Embrapa Semi-Árido só confirma o potencial de exploração em regiões tropicais.




domingo, 6 de novembro de 2011

Safra da amora-preta 2011 no Sul de Minas prejudicada pela estiagem













A estiagem por aproximadamente 90 dias prejudicou o início da safra da amora-preta no Sul de Minas Gerais. A carência de chuvas e a baixa umidade atrasaram a florada e somente após o início das chuvas em outubro que as plantas começaram a vegetar intensamente. Ainda é observado brotação desuniforme nas gemas, principalmente nas cultivares Tupy, Xavante, Arapaho e Ébano. Para quem está cultivando Brazos, Guarani e Comanche, já deve estar colhendo muitos frutos. Estamos coletando a segunda safra em nosso ensaio de competição varietal aqui na UFLA, esperamos em janeiro finalizar as avaliações e assim disponibilizar na literatura o desempenho de 10 cultivares de amora-preta e ainda da amora-vermelha (Rubus rosifolius), nativa da Mata Atlântica brasileira.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

II Dia de campo de Fruticultura: Cultivo de Pequenos Frutos Vermelhos

Estamos realizando o II Dia de campo na UFLA e o tema agora será o cultivo dos pequenos frutos vermelhos. O evento ocorrerá em Lavras no dia 14 de setembro. As inscrições são gratuítas. Vejam os detalhes no cartaz.
Conto com a participação de vocês.


sábado, 30 de julho de 2011

Fruticultura luzitana I: cerejeiras de Trás-os-Montes





Para quem não sabe, essas são as verdadeiras cerejas, bem diferentes daquelas que estamos acostumados a encontrar em bolos de festas.

A cerejeira pertence a família Rosaceae e gênero Prunus, parente do pessegueiro, ameixeira, damasqueiro, amendoeira, dentre outras. Existem duas cerejeiras comestíveis, as cerejas doces (Prunus avium) e cerejas ácidas ou ginja (Prunus cerasus). Essa última é muito cultivada em Portugal e são utilizadas para a produção de um licor de sabor único.

Em Portugal, as cerejeiras são cultivadas na Serra da Estrela e na região de Trás-os-Montes, próximo a Vila Real, ao norte de Portugal. As plantas são de uma beleza inagualável e frutos com sabor exuberante. Confeço que nunca provei uma fruta tão saborosa.

Temos potencial em cultivar cerejas aqui no Brasil, tendo como fator limitante as baixas temperaturas, uma vez que são plantas que necessitam de muitas horas de frio durante o período invernal, chuvas em demasia no verão (cerejas são sensíveis a déficit hídrico e água em excesso) e o ataque de pássaros. Mas o cultivo protegido é uma opção. Assim sendo, há necessidade de introduzirmos porta-enxertos e cultivares com menor necessidade de frio.


sexta-feira, 8 de julho de 2011

sábado, 4 de junho de 2011

Hora da desfolha!!!




Para os fruticultores localizados em regiões de inverno ameno, está na hora de se iniciar o tratamento de inverno. Quando algumas frutíferas são cultivadas nas condições do sudeste, as folhas devem cair em meados de maio/junho, devido ao mecanismo de dormência. Porém, algumas frutíferas como a macieira, pereira e amoreira-preta, possuem dificuldade em derrubar naturalmente suas folhas. Isso se deve devido as condições climáticas, que não são suficientes a fim de estimular a derrubada das folhas. Nesse caso, deve-se aplicar algumas substâncias, a exemplo da calda sulfocálcica (1L de calda para cada 8L de água) e solução de uréia a 10%. Esses produtos devem ser aplicados 30 dias antes da realização da poda invernal. Não perca tempo, mãos-a-obra! pulverização com calda sulfocálcica ajudará a combater a infestação de algumas doenças e pragas, deixando as plantas sadias para o início do novo ciclo.




















sábado, 21 de maio de 2011

Dia de campo em julho: fruticultura de clima temperado




Estaremos realizando no dia 19 de julho na Fazenda Experimental de Maria da Fé-MG, pertencente a EPAMIG, o Dia de campo Fruticultura de clima temperado. O evento contará com as seguintes estações: amora-preta e framboesa, mirtilo, physalis, maçã, oliveira e pêssego. Maiores informações estão contidas no cartaz do evento.
Estaremos apresentando alguns resultados de pesquisas obtidos com o cultivo de amora-preta e framboesa (projeto financiado pelo CNPq), desempenho produtivo de uma séria de cultivares e seleções de pessegueiro, em três anos de avaliação, técnicas para o cultivo racional da macieira, informações sobreo cultivo de oliveira e o potencial de exploração do physalis e mirtilo no sul de Minas.
No final haverá uma confraternização. Contamos com a presença de vocês em nosso evento!!!

domingo, 8 de maio de 2011

I dia de campo Fruticultura: implantação de pomares



Estamos organizando o I dia de campo de Fruticultura a ser realizado na Universidade Federal de Lavras. Na inauguração dessa série de eventos, escolhemos o tema "Implantação de pomares". Pelo fato de estarmos re-estruturando a estrutura física e as coleções no Pomar didática da UFLA, essa edição inaugural será restrita somente aos alunos de graduação e pós-graduação da Universidade e as vagas se limitam a 60. Estaremos realizando algumas práticas de preparo de solo e aproveitando a implantação da coleção de cultivares de caquizeiro para a realização do dia de campo.

No segundo semestre estaremos realizando o II dia de campo: pequenos frutos vermelhos, e nesse sim abriremos para um maior público e para produtores rurais.

Estamos em uma fase de expansão na UFLA. Já implantamos as seguintes coleções: amora-preta, framboesa, pera, marmelo, maçã, castanheiro. Até julho implantaremos caqui, pêssego e ameixa, faltando ainda oliveira e figueira para cumprir nossa meta. Tais coleções nos darão suporte para a realização de inúmeros dia de campo e cursos práticos. Aguardem!!!

VI Seminário Fruticultura de Clima Temperado mais uma vez foi um sucesso!!!






Para quem compareceu na 6º edição do Seminário Fruticultura de Clima Temperado, pode usufruir de uma recepção calorosa com um bom café da manhã a base de frutas vermelhas e posteriormente acompanhou as palestras, que nesse ano, priorizou-se alternativas viáveis de transformação do produto final. Nesse sentido, abordou-se a produção de vinhos finos artesanais em condições de elevada altitude, extração de óleo de sementes de uva, produção de destilados a base de frutas e receitas requintadas, além de palestras fitotécnicas, com destaque os resultados de pesquisas alcançados nos últimos 4 anos envolvendo as pequenas frutas vermelhas. Até o momento já se sabe quais as cultivares de amoras e framboesas coloridas apresentam melhor desempenho em regiões subtropicais e formas viáveis de se propagar tais cultivares.

Após as palestras, foi servido o tradicional almoço nas dependências da CATI Sementes e Mudas e em seguida realizou-se a visita no viveiro Frutopia, encerrando-se com suco de amora-preta, pernil com molho de framboesa e uma deliciosa sobremesa de framboesa!

A comissão organizadora agradece os 200 participantes que se deslocaram de suas cidades, o SENAC Campos do Jordão pela parceria, os palestrantes, patrocinadores, a CATI e o viveiro Frutopia pelo apoio na realização.

No segundo semestre já iremos começar a formatar o VII Seminário e mais uma vez priorizaremos o processamento. Aguardamos novamente a presença de todos.

domingo, 24 de abril de 2011

O que é o caqui chocolate?



Os caquis (Diospyros kaki) são divididos em três grupos: taninosos ou shibugaki, não taninos ou amagaki e variáveis.

- Os frutos dos caquis pertencentes ao grupo taninoso ou shibugaki são de coloração amarela quando maduros, podendo ou não ter sementes e sempre possuem polpa taninosa. Ex. de cultivares: 'Pomelo' e 'Taubaté'

- Os frutos dos caquis do grupo não taninoso ou amagaki, são conhecidos como caquis doces. São de coloração mais amareladas quando maduros, são firmes, podendo ou não possuir sementes e não possuem tanino. Ex. de cultivares: 'Fuyu' e 'Jirô'

- Já os caquis do grupo variáveis são os caqui que podem ser tanto de polpa amarela, possuir adstringência e não possuir sementes, como possuírem sementes e assim adquirirem a polpa escura (chocolate) e assim não possuirem adstringência. Ex. de cultivares: 'Giombo' e 'Rama Forte'.

Assim, quando as flores femininas ou hermafroditas das plantas dos cultivares pertencentes ao grupo variável são polinizadas, forma-se as sementes nos frutos. As sementes liberam substâncias conhecidas como fenóis, que insolubilizam o tanino, removendo assim a adstringência da polpa e consequentemente, causando oxidação, assim tornando a polpa escura, conhecida popularmente como "caqui chocolate".

Para remover a adstringência dos frutos em casa, basta pingar algumas gotas de vinagre no cálice do fruto (restos florais que ficam em cima do fruto), embrulhar em folhas de jornal e manter a sombra por três dias. Comercialmente, os produtores removem o tanino dos frutos com o emprego de combustão, pulverizações com solução alcóolica ou com carbureto.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Rubus erythrocladus, a amora-verde da Serra da Mantiqueira



Para quem não conhece, essa é a amora-verde, um berry nativo da Serra Mantiqueira e que se encontra em alguns locais das terras altas da Serra, principalmente na face mineira. Em fev. de 2011 fizemos uma busca em pastos e matas no Sul de Minas e resgatamos algumas mudas dessa espécie, que se encontram no Setor de Fruticultura da UFLA. Vamos multiplicar essas mudas e esperamos em jul. levar a campo para iniciarmos uma série de estudos pomológicos, propagativos e físico-químico. Há potencial de exploração, principalmente pela firmeza de seus frutos e sabor peculiar.





domingo, 20 de fevereiro de 2011

O que fazer após a colheita dos frutos no pomar?


Não é porque terminou-se a colheita que devemos esquecer de nosso pomar e voltar as atividades somente nos momentos que antecedem a poda invernal.
As frutíferas de clima temperado e as subtropicais caducifólias (como o caquizeiro), possuem o mecanismo de dormência. Necessitam acumular reservas (fotoassimilados), oriundos da fotossíntese, que são mobilizados para o sistema radicular através de estímulos externos (queda da temperatura e diminuição do comprimento do dia - dias curtos), as reservas que se encontram na forma de açúcar simples é transformado em amido (polissacarídeo), devido ao fato desse possuir menor ponto de congelamento e ser osmoticamente inativo (não é translocado pelo solo através de osmose). As folhas caem e inicia-se a dormência, que é superada após as temperaturas se elevarem e o comprimento do dia começar a aumentar. Após a superação da dormência, ocorre brotação e a floração. A abundãncia da vegetação e floração estão associados aos níveis de reservas, quanto mais fotoassimilados as frutíferas produziram, maior o sucesso na produção de flores e, consequentemente, frutos.
Como o fruto é o dreno mais forte da planta, após a colheita passa-se ser as raizes. As folhas são as fontes, ou seja, as produtoras dos fotoassimilados. Por isso, quanto mais tempo as folhas permanecerem na planta após a colheita dos frutos, maior será a produção dos fotoassimilados.
Assim, devem ser redobrados os cuidados com doenças de final de ciclo, devendo realizar pulverizações racionais e adubações, pois as plantas estão desgastadas devido a produção de frutos e os nutrientes devem ser repostos.
Cuidado com a incidência de oídio e mildio nas videiras, macha-de-glomerella nas macieiras, ferrugem nas figueiras, antracnose nas amoreiras-preta, cercosporiose nos caquizeiros e entomosoriose nos marmeleiros e pereiras.
Não esqueçam de realizar o tratamento de inverno!

domingo, 30 de janeiro de 2011

Os marmeleiros pedem ajuda....

O marmelo, considerado uma das frutíferas de maior valor histórico-cultural brasileira, está paulatinamente desaparecendo das gôndolas dos supermercados brasileiros e o produto mais nobre dessa fruta, a marmelada, primeiro produto de exportação paulista (antecessora ao café), está cada vez mais difícil de ser encontrada nas tradicionais casas de doces caseiros do Sul de Minas. As novas gerações se quer conhecem esse doce nobre. Esse fato está simplesmente correlacionado ao desinteresse dos pesquisadores e extencionistas em incentivar o desbravamento de novos plantios ou pelo menos em auxiliar os poucos produtores que restam na Serra da Mantiqueira.
Semana passada estive em Marmelópolis (25/01/11), cidade mineira localizada no Sul do Estado, mais precisamente na serra da Mantiqueira, próxima aos municípios de Itajubá, Maria da Fé, Cristina, Delfin Moreira, Wenceslau Brás, Virgínia, Itanhandú, Itamonte e Passa Quatro. Esses municípios compunham o berço da marmeilocultura na década de 30, onde estavam instaladas mais de 27 indústrias processadoras de marmelo. Hoje poucos plantios se encontram no local.
Na oportunidade, visitei alguns plantio em plena safra e ministrei um Dia de Campo para os produtores locais. Para quem trabalha a mais de uma década com essa frutífera, nada como conhecer o local de maior importância dessa frutífera.
Mas os resultados encontrados não foram animadores e refletem bem a situação atual de abandono que essa frutífera se encontra. Os preços pagos pelas indútrias variam de R$1,50 a R$2,oo/Kg da fruta. Se levarmos em consideração que uma planta saudável produz em média 30Kg e um ha pode gerar algo em torno de 20ton, concluímos que cultivar marmelos é um bom negócio, pois é uma frutífera rústicas, que produz frutos em jan./fev. que podem ser utilizados na confecção não só de marmeladas, mas sim de sucos, sorvetes e destilados.
O maior entrave que percebi é a falta de programas consolidados de extensão rural. Hoje temos um pacote tecnológico para o cultivo de marmeleiros altamente produtivos e dispomos de uma coleção de 33 cultivares. Mas isso não chegou aos produtores mineiros!
Ciente da importância em resgatar os poucos produtores que restam e incentivar novos plantios, vamos voltar a colocar essa frutífera como prioridade em nossas pesquisas e assumir com rigor o papel extencionista. A idéia é colocar a campo experimentos de competição varietal em Marmelópolis e instalar plantios experimentais para pesquisas com manejo de podas, plantios adensados e produção de fruta fresca. Estamos a procura de novos editais das agências de fomento e não vamos medir esforços para captar recursos que viabilizem uma séria de palestras técnicas nas diferentes fases fenológicas do marmeleiro.
Contamos agora com uma nova aliada, uma colega da EMATER de Marmelópolis. Juntos vamos procurar novos parceiros e levar nossas propostas para as prefeituras citadas acima, com a missão de a médio prazo reverter a situação que essa frutífera se encontra em Minas Gerais.
E na docência nossa batalha em divulgar o conhecimento se inicia em fev., onde criamos a disciplina GAG-160 Pomáceas, onde iremos abordar aos alunos da UFLA uma parcela sobre o cultivo do marmeleiro.
Não vamos desistir, enquanto existir um produtor de marmelos, teremos estímulos para continuar nossa luta.
Ajude-nos em divulgar essa frutífera!!! O marmelo não merece apenas ficar na história.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Rubus rosifolius - fruta de tamanho diminuto, mas de elevado potencial

A Rubus rosifolius, conhecida como moranguinho silvestri e amora-vermelha, é uma frutífera nativa do Brasil, mais precisamente da Mata Atlântica. Encontra-se dispersa nas matas da região sul e sudeste a parte do MS, já que os pássaros são os principais agendes dispersores. Hora tenho minhas dúvidas se chamamos de amora-vermelha ou framboesa, pois é oca como as framboesas, mas possui crescimento similar as amoras. Bem, a literatura classifica como amora-vermelha, então, seguimos o que está escrito.

Temos dúvidas quanto a multiplicação dessa espécies, realizada até então por rebentos, fato esse que nos levou a instalação de uma série de ensaios e que logo teremos um pacote tecnológico sobre o processo de produção de mudas dessa frutífera.

Mas o que nos mais animou foi o desempenho produtivo. No oeste paranaense, a amora-vermelha começou a floração em meados de abr./maio e se estendeu até out., mais de seis meses em produção. As colheitas se iniciaram sete meses após o plantio. Registramos no primeiro ano a produção de aproximadamente 600 g por planta e no segundo ano 1.600 g. Em termos de produtividade, se levarmos em consideração o espaçamento 0,5 x 3 m, algo em torno de 4 ton/ha e 10,5 ton/ha, respectivamente. Aqui no sul de Minas até o momento vem produzindo absurdamente.

Estamos realizados alguns trabalhos de caracterização química também. Fizemos alguns potes de geléia e o sabor é inigualável. Realmente para processamento essa fruta possui um grande potencial.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Conheça os grupos dos mirtileiros e saiba qual cultivar para sua região


Os mirtileiros são agrupados em três grupos: Rabbiteye (Vaccinium ashei), Highbush (Vaccinium corymbosum) e Lowbush (Vaccinium myrtilloides). Esses grupos apresentam algumas distinções quanto aos aspectos morfológicos e exigência ao frio.
- Grupo Rabbiteye, também conhecido como olho de coelho, devido a cavidade pronunciada de seus frutos: é o grupo onde as plantas apresentam o maior vigor, podendo alcançar até 4 m de altura. Apresentam boa produtivida, longevidade e baixa necessidade de frio invernal (em torno de 200-300 h de frio). Os frutos são de qualidade inferior, devido a espessura da epiderme e excesso de semente. Os principais cultivares desse grupo são: Aliceblue, Bluebelle, Bluegem, Briteblue, Clímax, Delite, Powderblue, Flórida e Woodard.
- Grupo Highbush: esse grupo é fácil de se identificar, pois as flores são alojadas em rácimos e os frutos são grandes e ovais. As plantas chegam a atingir 1,5 m de altura, os frutos são de excelente qualidade, mas para as regiões subtropicais existem um certo limite, pois os cultivares necessitam de 200-600 h de frio). Os principais cultivares são: Georgia Green, O'Neal, Misty, Blueta e Earliblue.
- Grupo Lowbush: são arbustos muito pequenos (em torno de 50 cm de altura), os frutos são macios, pequenos e de baixa acidez, mas a exigência em frio é bem superior aos demais grupos (1.000 h de frio).
Conhecendo as características dos grupos, fica mais fácil escolher os cultivares para as regiões brasileiras, já que há carência de pesquisas quanto ao desempenho fitotécnico dos cultivares, principalmente em regiões subtropicais.