quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

O cultivo da amora-preta no Brasil e em regiões subtropicais






      A amoreira preta é cultivada em várias regiões temperadas no mundo. Estima-se que há aproximadamente 20 mil ha cultivados com essa fruteira em todo o mundo. A Europa possui ao redor de oito mil ha cultivados com amoras, sendo que o maior produtor Europeu é a Sérvia, com 53% da área cultivada e uma produção próxima a 25 mil t. Outros países que cultivam amoreiras pretas com grande expressão nesse continente é a Hungria, Reino Unido, Romênia, Polônia, Alemanha e Croácia. No caso da América do Norte, a área cultivada é de aproximadamente 7.200 ha, sendo os Estados Unidos o maior produtor, com sua maior área de produção situada em Oregon, Michigan e Arkansas. Ressalta-se ainda que o México possui 32% da área cultivada da América do Norte, considerado o segundo maior produtor. Em relação à América do Sul, a área cultivada com amoreira preta é superior a 2.500 ha, sendo o Equador e o Chile os principais países produtores.
            Embora existam espécies nativas do gênero Rubus no Brasil, a amoreira preta só começou a ser pesquisada a partir de 1972, pela Embrapa Clima Temperado, então Estação Experimental de Pelotas, sendo a primeira coleção implantada em 1974 no município de Canguçu-RS. Estima-se que, atualmente, a área cultivada com essa fruteira no Brasil seja aproximadamente de 600 hectares. No Rio Grande do Sul, destacam-se os municípios de Vacaria, Caxias do Sul e Feliz.
O cultivo de amoreira preta apresenta grande importância em regiões subtropicais e tropicais brasileiras. Em São Paulo, a área cultivada é de aproximadamente 215 ha, destacando-se os municípios de Duardina (22 ha), na região de Bauru e Marília, Iaras, Itatinga, Águas de Santa Bárbara e Botucatu, que juntas somam mais de 40 ha, Parapuã, Tarumã e Presidente Prudente, no oeste do Estado, que juntas somam aproximadamente 36 ha, além de municípios localizados no pontal do Panapanema, vale do Ribeira e principalmente o vale do Paraíba, atualmente principais polos produtores de amoras de São Paulo. Em Minas Gerais, os principais municípios produtores encontram-se na serra da Mantiqueira e sul de Minas, com destaque para Senador Amaral, Cambuí, Campestre, Gonçalves e Pouso Alegre. Embora sejam escassos os dados oficiais sobre o volume produzido, é notável o crescente interesse pelo cultivo por parte dos produtores, decorrente da grande procura pela população, principalmente na serra da Mantiqueira.
            As produtividades dos plantios de amoreira preta em regiões subtropicais podem atingir até 12 t por hectare já no primeiro ano após o plantio e 25 t no segundo ano de cultivo. Isso é possível desde que seja escolhida as cultivares adaptadas às condições climáticas de inverno ameno, além de um bom manejo cultural, apurado para essas condições climáticas de cultivo.
            Por ser uma fruteira rústica, com poucos problemas fitossanitários, intenso crescimento e pouco tempo demandando para se formar a estrutura de copa, o que propicia o rápido retorno do capital investido, é uma atividade interessante para a diversificação da fruticultura nas regiões subtropicais. Aliada à grande procura por parte dos consumidores e sabor peculiar de suas frutas, a amoreira preta é, sem dúvida, uma fruteira potencial para ser inserida em regiões turísticas, como uma grande opção para o turismo rural e na produção de geleias e sucos caseiros.

Essa fruta tem ganhado espaço no mercado consumidor, em decorrência das recentes descobertas dos benefícios de seu consumo à saúde humana. Possui quantidades significativas de vitaminas A, B, cálcio e ácido elágico, um constituinte fenólico com propriedades anticancerígenas. Além disso, a amora preta também é rica em pectina, que auxilia na redução do colesterol e na prevenção de doenças cardiovasculares e circulatórias. Também auxilia na prevenção de diabetes e no mal de Alzheimer.
         O cultivo da amoreira preta em regiões subtropicais e tropicais indicam boas perspectivas. Já há relatos de cultivos no oeste do Estado do Paraná, pontal do Paranapanema, leste paulista e vale do Paraíba no estado de São Paulo, sul de Minas e serra da Mantiqueira em Minas Gerais. Apesar dos avanços das áreas cultivadas nessas regiões de inverno ameno, os desafios tecnológicos de produção e, principalmente, o manejo cultural visando a proporcionar aumento na duração do período de produção das frutas e do tempo de conservação em pós-colheita, constituem desafios a serem enfrentados.
            Essa fruteira possibilita o rápido retorno do capital investido, pois as plantas atingem altas produções após onze meses do plantio e ainda se adéquam perfeitamente ao cultivo agroecológico, em razão de sua rusticidade e poucos problemas fitossanitários.
            As frutas são altamente delicadas, mas se consegue agregar valor ao produto final por meio do processamento de suas frutas, no fabrico de geléias caseiras, doces em barras ou em caldas, polpa congelada e bebidas fermentadas, produtos esses que possuem fácil comercialização, em decorrência do sabor peculiar dessa fruta e a grande procura, principalmente em regiões turísticas.
            Em relação ao consumo ao natural da amora preta, o Brasil apresenta um grande potencial para comercialização, porém os produtores deverão buscar orientações técnicas para realizar a colheita das frutas no ponto de maturação adequado e também com todo o cuidado para que essa fruta atinja o mercado consumidor com qualidade adequada.

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