quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Nêspera: fruta de sabor peculiar




        A nespereira (Eriobotrya japonica Lindl.) é uma frutífera pertencente à família Rosaceae, subfamília Pomeae; suas flores e frutos apresentam similaridade com a macieira, a pereira e o marmeleiro. A designação do gênero Eriobotrya, nome grego que significa “inflorescência pilosa”, descreve bem a presença de pilosidade extremamente abundante nas gemas, flores, frutos e folhas da nespereira. Ao que indica, o gênero Eriobotrya compreende uma dezena de espécies, das quais a E. japonica Lindl. é a única cultivada.
As plantas, em condições naturais de crescimento, chegam atingir seis a dez metros de altura. No entanto, suas raízes são poucos profundas, podendo as plantas tombar sob a ação de ventos fortes, fato que deve ser levado em consideração na época da instalação do pomar.
As folhas são perenes, elípticas a oval, quase sésseis, ligeiramente dentadas, medindo de 15 a 25 cm de comprimento; apresentam-se bem esbranquiçadas e pilosas na fase de brotação, mudando para verde-escuras e lisas na página superior e verde-esbranquiçadas e pilosas na inferior, quando desenvolvidas. O crescimento vegetativo se faz por brotações periódicas; normalmente observam-se três durante o ano, e recomenda-se, nessas ocasiões, efetuar a poda verde a fim de disciplinar a produção.
As flores (autoférteis) são pequenas, brancas, muito perfumadas e se formam em panículas que normalmente se desenvolvem a partir da gema terminal dos ramos. As panículas bem desenvolvidas comportam de 100 a 150 flores, das quais fixam-se cerca de 10% de frutos.
As sementes, localizadas no centro das frutas, variam de uma a nove, dependendo da variedade, condições ecológicas e tratos culturais.
            Sem desbaste, é uma fruta pequena, de cor amarela e casca aveludada, de modo errôneo chamada popularmente de ameixa-amarela ou ameixa-japonesa. Sua principal característica nutricional é a elevada quantidade de vitamina C, onde seu consumo vem auxiliar no combate a gripes e infecções, além de suprir as carências de tal vitamina.
            Nas condições da região Sudeste, o período de produção dos frutos inicia-se em maio e estende-se até meados de outubro, o que vem a ser uma excelente alternativa para a diversificação de propriedades frutícolas, uma vez que na época de safra da nespereira existem escassezes de outras frutas estacionais no mercado. Além do mais, a colheita da nêspera coincide justamente com o período de entressafra de outras frutas, o que permite ao fruticultor manter boa continuidade de renda durante o ano.
O período longo da safra é devido ao hábito de florescimento da nespereira ser em etapas, num ciclo amplo. Essa é a razão pela qual a produção das nêsperas é muito menos afetada que das outras culturas, nos anos em que ocorrem intempéries, como geadas fortes, secas prolongada, granizo, etc.
            Embora seja considerada uma frutífera bastante rústica, seu cultivo requer mão-de-obra qualificada para desbaste, ensacamento, colheita e embalagem de frutos. Assim, antes da instalação ou ampliação do pomar de nêsperas, há necessidade de verificar a disponibilidade de mão-de-obra.

        O uso de marmeleiro como porta-enxerto induz nanismo às nespereiras, possibilitando sua exploração em pomares compactos e facilitando o manejo necessário dos frutos na fase do seu desenvolvimento. Considerando ainda que a nespereira não necessita da utilização sistemática de defensivos, seu cultivo torna-se atraente como fruticultura alternativa para produção intensiva e mais natural de frutas.
O Brasil é um produtor de destaque de nêsperas do mundo, sendo que, os países orientais são os maiores produtores mundiais.
O Estado de São Paulo é o maior produtor nacional. A exploração econômica iniciou-se na década de 40 no Estado, com interesse crescente entre os fruticultores, chegando à cerca de 200 mil plantas em 1985, principalmente nas regiões produtoras de Mogi das Cruzes e Atibaia. Segundo dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA), entre os anos de 2000 e 2004, houve plantio de 12.500 novas plantas no Estado de São Paulo, com maiores destaques para nos municípios de Botucatu, Itapetininga, Sorocaba e Mogi das Cruzes. Atualmente, o Estado apresenta aproximadamente 320.000 plantas em produção, sendo que 70% dessas plantas concentram-se no município de Mogi das Cruzes, que é responsável pela produção de dois milhões de caixas/ano (caixa de 5 Kg), do total de 3.700.000 caixas produzidas no Estado.
A nespereira é uma espécie subtropical que se desenvolve bem em regiões onde a temperatura média anual está acima de 15º C, não sujeitas a temperaturas abaixo 3º C.
No Estado de São Paulo, a quantidade total de água que a planta necessita durante o ano é, em geral, satisfeita com as chuvas. Porém a irrigação pode apresentar certas vantagens, principalmente em anos que ocorre má distribuição das chuvas ou ainda quando há insuficiência de água durante o período de frutificação.
Quanto a ação dos ventos, as raízes da nespereira são pouco profundas, podendo a planta tombar sob a ação de ventos muito fortes. Os ramos são resistentes, não havendo perigo de quebra pelo vento, mas os frutos podem ser prejudicados devido à fricção contra as folhas e ramos vizinhos.

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