quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Histórico sobre o cultivo do marmeleiro no Brasil e em regiões subtropicais


        O marmeleiro [Cydonia oblonga (Mill.)] pertence ao gênero Cydonia, família Rosaceae e subfamília Pomoideae, bem como a macieira, a pereira e a nespereira. Existe ainda outro marmelo cultivado de forma pouco expressiva no mundo, porém pertencente ao gênero Chaenomeles, conhecido como marmelo do Japão ou japonês (Chaenomeles sinensis Koehne). Esse marmeleiro é recomendado no Brasil como porta-enxerto para as cultivares do gênero Cydonia.
Na serra da Mantiqueira em Minas Gerais, a marmelocultura era a principal atividade econômica da década de 30, onde existiam, na época, mais de 25 indústrias doceiras nos municípios de Marmelópolis, Delfim Moreira, Virgínia, Cristina, Maria da Fé e Passa Quatro. Em anos posteriores houve uma crise decorrente do monocultivo, o que ocasionou baixos preços, em razão da alta oferta e a dependência industrial dessa fruteira, já que seus frutos são exclusivamente utilizados para o processamento no Brasil. Por esse fato, quase houve dizimação da marmelocultura em Minas Gerais, fato esse que não foi revertido no estado de São Paulo.
            Na atualidade (2013), são produzidos próximos a um milhão de toneladas de marmelos, sendo apenas 17% destes no Rio Grande do Sul. Do total de marmelos produzidos nacionalmente, 50% estão em terras mineiras. No entanto, essa fruteira vem sendo explorada em novos locais, dotados de temperaturas amenas no inverno, a exemplo do norte de Minas, responsável pela produção de 250 t de frutos/ano e Vale do Jequitinhonha, que produz anualmente 150 t de marmelos.
            Outro estado que se destaca na exploração econômica do marmeleiro é Goiás, que produz anualmente 80 t da fruta, principalmente nas cidades de Luziânia e Cidade Ocidental, próximas ao Distrito Federal. O estado da Bahia é outro estado que possui destaque recente na exploração do marmelo, com uma produção anual de 250 t na região nordeste do estado, mais precisamente no Morro do Chapéu, zona oriental da chapada Diamantina.

            Nota-se que o cultivo de marmelos no Brasil possui maior expressão em regiões subtropicais e tropicais, em macroclimas que possibilitam a exploração racional do marmeleiro, com altitudes próximas a 1.000 m, que possibilitam boa amplitude térmica e temperaturas anuais entre 21 e 24ºC.
           Apesar de o marmeleiro pertencer ao grupo das fruteiras de clima temperado, possui adaptação às mais variáveis condições climáticas, tanto das zonas temperadas como das zonas subtropicais e tropicais. O marmeleiro requer temperaturas baixas durante o inverno, quando ocorrem importantes transformações hormonais internas, essenciais para uma boa produção de frutos. De maneira geral, os marmeleiros necessitam de menos frio hibernal em comparação a outras fruteiras de clima temperado. Há cultivares que necessitam de aproximadamente 100 unidades de frio, como outras que necessitam de até 450 unidades de frio (temperaturas abaixo de 7,2°C).
         O cultivo do marmeleiro tem grande potencial para propriedades produtoras de frutas destinadas ao processamento, sendo uma excelente opção de diversificação, uma vez que a época de colheita dos marmelos, que se restringe entre os meses de janeiro e fevereiro, não coincide com a época de colheita dos pêssegos, figos, uvas, castanhas e amoras pretas. Também é uma excelente opção para pequenas propriedades rurais, pois constitui uma alternativa de agregação de valores com a possibilidade da produção de marmeladas e geleias artesanais. Seus frutos também podem ser utilizados na confecção de sucos e bebidas fermentadas, como iogurtes e licores, produtos ainda não explorados no Brasil.
            Como a produção brasileira é relativamente baixa e restrita em alguns locais, os frutos e a marmelada possuem preços atraentes.

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